Sim, pode valer a pena — especialmente para o advogado que tem um público definido e assuntos que consegue explicar com clareza. Um podcast oferece tempo para desenvolver uma ideia, responder dúvidas e mostrar como o Direito se relaciona com situações reais. Mas ele precisa ter uma proposta editorial: ligar o microfone para comentar qualquer notícia jurídica dificilmente cria um programa que as pessoas queiram acompanhar.
Pense em uma advogada trabalhista que atende empresas. Ela pode produzir episódios sobre dúvidas recorrentes de gestores: como documentar uma decisão, o que observar antes de mudar uma política interna ou quais perguntas fazer ao receber uma reclamação. Um advogado de família, por sua vez, falaria com outro público e escolheria outra linguagem. Em ambos os casos, o tema parte de uma necessidade de quem escuta.
O podcast pode ajudar o advogado a ser conhecido?
Pode. A OAB permite o marketing de conteúdo jurídico como forma de informar o público e consolidar a presença profissional do advogado. A publicidade, porém, deve ser verdadeira, discreta e sóbria, sem induzir diretamente à contratação de serviços ou estimular litígios para captar clientes. Essas condições são previstas no Provimento nº 205/2021. Conselho Federal
É justamente aí que o podcast pode funcionar bem. Em vez de afirmar que é “o melhor especialista” ou transformar cada episódio em uma oferta, o advogado pode demonstrar seu conhecimento ao explicar questões que importam para seu público. Quem ouve passa a conhecer também sua maneira de pensar e de se comunicar.
Isso não significa que cada episódio trará novos clientes. O resultado depende dos temas escolhidos, da qualidade da conversa, da divulgação e da continuidade do projeto.
Sobre o que um advogado poderia falar?
Uma boa pauta costuma começar com uma pergunta específica. “Direito empresarial” é amplo demais para orientar uma conversa. “O que uma empresa deve observar antes de assinar um contrato com um fornecedor?” já indica a quem o episódio se destina e o que será discutido.
O advogado também pode entrevistar profissionais de outras áreas, comentar mudanças que afetam seu público ou explicar termos jurídicos que aparecem com frequência nas notícias. O cuidado é manter o caráter informativo: o episódio não substitui a análise de um caso concreto, nem deve expor clientes ou apresentar resultados obtidos em processos como argumento promocional. A OAB estabelece limites específicos para o uso de casos e resultados na divulgação profissional. Conselho Federal
E se eu não tiver tempo para gravar toda semana?
O programa pode ser planejado de acordo com a agenda do advogado. Gravar vários episódios em uma diária permite criar uma reserva de conteúdo para publicação. A frequência deve ser aquela que o projeto consegue sustentar, seja semanal, quinzenal ou mensal.
A pergunta decisiva, portanto, não é apenas “vale a pena ter um podcast?”, mas “que conversa meu público gostaria de encontrar e que eu tenho condições de manter?”. Quando existe uma boa resposta para isso, o podcast pode se tornar um espaço valioso para compartilhar conhecimento jurídico e construir uma presença profissional ao longo do tempo.
Quer criar seu podcast jurídico?
A Younik ajuda advogados a definir o público, encontrar o formato do programa, planejar pautas e cuidar da produção. Conheça a produção de podcasts para advogados ou converse com a Younik pelo WhatsApp.










