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Laura Cardoso morre aos 98 anos e deixa mais de oito décadas dedicadas à dramaturgia

Pioneira do rádio e da televisão brasileira, atriz construiu uma das carreiras mais longevas do país e recebeu homenagens de artistas e amigos

Laura Cardoso, uma das maiores atrizes da história da dramaturgia brasileira, morreu aos 98 anos em São Paulo. A notícia foi anunciada pela família no perfil oficial da artista durante a madrugada desta terça-feira (18). Segundo informações divulgadas pelo UOL, ela morreu em casa, de causas naturais.

O velório acontece nesta terça-feira, das 8h às 14h, no Funeral Home, na capital paulista. A cerimônia será reservada a familiares e pessoas próximas, sem acesso do público.

Nascida Laurinda de Jesus Cardoso Balleroni, em 1927, no bairro do Bixiga, em São Paulo, Laura era filha de imigrantes portugueses e começou a trabalhar no rádio ainda adolescente. Passou pela Rádio Cosmos e por outras importantes emissoras antes de chegar à televisão, quando o veículo ainda dava seus primeiros passos no Brasil.

Em 1952, participou do programa “Tribunal do Coração”, na TV Tupi, tornando-se uma das pioneiras da televisão brasileira. Ao longo de mais de oito décadas de carreira, acumulou mais de 100 trabalhos, entre novelas, programas, filmes, peças de teatro e produções de dublagem.

Laura estreou na TV Globo em 1981, na novela “Brilhante”, de Gilberto Braga. Na emissora, deu vida a personagens que atravessaram gerações. Entre os papéis mais lembrados estão Isaura, mãe das gêmeas Ruth e Raquel em “Mulheres de Areia”, e Guiomar, de “A Viagem”. Também integrou produções como “Irmãos Coragem”, “Explode Coração”, “Hoje É Dia de Maria” e “Caminho das Índias”.

Seu último trabalho em novelas foi como Matilde Azevedo, em “A Dona do Pedaço”, exibida em 2019. Mesmo afastada das produções diárias, continuou participando de homenagens e projetos especiais. Em 2025, compareceu à inauguração de sua estrela na Calçada da Fama dos Estúdios Globo e participou da gravação da mensagem de fim de ano da emissora.

A atriz também construiu uma trajetória importante no cinema. Atuou em mais de 20 filmes, entre eles “Terra Estrangeira”, “Através da Janela” e “O Outro Lado da Rua”. Seu trabalho em “Através da Janela” lhe rendeu reconhecimento internacional. Em 2025, lançou o curta-metragem “Dona Rosinha”, no qual interpretou uma idosa abandonada pela filha em um ponto de ônibus.

Na dublagem, Laura emprestou sua voz à personagem Betty, do desenho animado “Os Flintstones”, durante os anos 1960. No teatro, trabalhou com importantes diretores e recebeu duas vezes o Prêmio Shell. Entre outros reconhecimentos, também conquistou o Troféu APCA e recebeu a Ordem do Mérito Cultural.

A morte da atriz provocou uma série de homenagens nas redes sociais. Miguel Falabella relembrou a amizade construída desde a década de 1980 e a alegria que Laura levava para os ambientes de trabalho. Ary Fontoura manifestou incredulidade com a notícia. Zezé Motta destacou a importância da atriz para a arte brasileira.

Fabiana Karla, que dividiu o palco com Laura na peça “Hoje Eu Me Chamo Dinorá”, recordou a disciplina, a sensibilidade e a generosidade da veterana. Lúcia Veríssimo relembrou as histórias, as gargalhadas e a amizade iniciada durante as gravações do filme “Um Casal de 3”. Gorete Milagres, Bárbara Bruno e Kiko Mascarenhas também prestaram suas homenagens.

Conhecida pela paixão inabalável pelo ofício, Laura Cardoso nunca escondeu o desejo de continuar trabalhando enquanto tivesse forças. Para ela, representar não era apenas uma profissão, mas uma forma de compreender a vida, revelar conflitos humanos e transformar a sociedade.

Laura deixa duas filhas, Fernanda e Fátima, além de netos e bisnetos. Deixa também algo que ultrapassa os números de sua carreira: a memória de uma artista que participou da construção do rádio, do teatro, do cinema e da televisão no Brasil.

Laura Cardoso não apenas acompanhou a história da dramaturgia brasileira. Ela ajudou a escrevê-la.