• Home
  • História
  • Bamerindus: a ascensão e a queda do banco que marcou uma geração de brasileiros
História

Bamerindus: a ascensão e a queda do banco que marcou uma geração de brasileiros

O tempo passa, o tempo voa… e a poupança Bamerindus continua numa boa.

Quem viveu as décadas de 1980 e 1990 certamente ainda consegue cantar esse jingle de memória. Poucas campanhas publicitárias conseguiram entrar tão profundamente na cultura popular brasileira quanto a do Bamerindus.

Mas por trás da música que atravessou gerações existe uma história muito maior: a de um banco que nasceu no interior do Paraná, se transformou em uma das maiores instituições financeiras do país e acabou desaparecendo após uma crise que mudou o sistema bancário brasileiro.

Esse foi um dos temas do NEH! Podcast, apresentado por Fernando Vítolo e Heródoto Barbeiro.

Um banco que nasceu no interior

A história começa em 1929, justamente no ano da quebra da Bolsa de Nova York.

Enquanto o mundo enfrentava uma das maiores crises econômicas da história, o empresário Avelino Antônio Vieira fundava, na cidade de Tomazina (PR), uma pequena instituição financeira chamada Banco Popular e Agrícola do Norte do Paraná.

A escolha da região não foi por acaso.

Na época, o norte do Paraná vivia um intenso ciclo de expansão da cafeicultura. Assim como ocorreu em São Paulo, o café impulsionava a economia local e aumentava a necessidade de crédito para produtores rurais e comerciantes.

Segundo Heródoto Barbeiro, muitos bancos brasileiros nasceram justamente para atender às economias regionais.

Dos bancos estaduais aos bancos nacionais

Durante boa parte do século XX, era comum que cada estado tivesse seus próprios bancos fortes.

São Paulo tinha o Banespa.

Minas Gerais possuía instituições como o Banco Nacional.

O Rio de Janeiro também tinha seus grandes bancos regionais.

No Paraná, o destaque passou a ser o Bamerindus.

Com o crescimento da economia brasileira e a expansão das empresas para outros estados, essas instituições perceberam que precisavam deixar de atuar apenas regionalmente.

O Bamerindus acompanhou esse movimento.

Em 1951, Avelino Antônio Vieira assumiu o controle do Banco Meridional da Produção e iniciou um processo de expansão que culminaria, em 1971, na criação do Banco Bamerindus do Brasil, nome que ficaria conhecido em todo o país.

Crescimento acelerado

A expansão foi impressionante.

Em poucos anos, o banco passou de apenas quatro agências para centenas de unidades espalhadas pelo Brasil.

Em 1989, já contava com aproximadamente 1.200 agências, tornando-se uma das maiores instituições financeiras nacionais.

Esse crescimento refletia um fenômeno vivido por diversos bancos brasileiros: abrir novas agências, adquirir concorrentes e ampliar rapidamente sua presença no mercado.

A publicidade que entrou para a história

Se existe algo que fez o Bamerindus permanecer vivo na memória dos brasileiros foi sua publicidade.

As campanhas produzidas nas décadas de 1980 e 1990 eram consideradas inovadoras para a época.

O famoso jingle:

“O tempo passa, o tempo voa…”

acabou se transformando em um dos slogans mais conhecidos da propaganda brasileira.

Além disso, os comerciais de Natal emocionavam o público e reforçavam a imagem de um banco próximo das famílias.

Boa parte dessas campanhas era exibida durante programas de grande audiência da televisão brasileira, especialmente na TV Globo, o que ajudou a consolidar ainda mais a marca.

O crescimento também pode gerar crises

Ao contrário do que muita gente imagina, empresas nem sempre enfrentam dificuldades apenas quando encolhem.

Segundo Heródoto Barbeiro, crescer rápido demais também pode representar um enorme desafio.

Expandir exige mais estrutura, gestão eficiente e capacidade para controlar operações cada vez mais complexas.

No caso do Bamerindus, a expansão acelerada acabou contribuindo para dificuldades financeiras que se tornaram insustentáveis ao longo da década de 1990.

A concentração dos bancos brasileiros

A trajetória do Bamerindus também ajuda a explicar como o sistema bancário brasileiro mudou. Nas últimas décadas do século XX, ocorreu um intenso processo de consolidação. Diversos bancos desapareceram por meio de incorporações, fusões ou aquisições.

O próprio Banco Nacional deixou de existir. O Banespa foi adquirido pelo Santander. O Unibanco acabou incorporado pelo Itaú. O Bamerindus também entrou nesse movimento.

Em 1997, suas operações foram adquiridas pelo banco inglês HSBC, que optou por aproveitar toda a estrutura já existente em vez de construir uma nova rede de agências.

Anos depois, o próprio HSBC venderia suas operações brasileiras ao Bradesco.

O surgimento dos bancos digitais

Se antes o mercado era dominado por poucos grandes bancos, o cenário começou a mudar novamente nas últimas décadas.

O avanço da tecnologia permitiu o surgimento das chamadas fintechs e dos bancos digitais, aumentando a concorrência e oferecendo novas alternativas aos consumidores.

Para Heródoto Barbeiro, trata-se de mais uma transformação natural do capitalismo, em que novos modelos de negócio surgem para disputar espaço com empresas já consolidadas.

Muito além de um jingle

Embora o Bamerindus tenha deixado de existir, sua marca permanece viva na memória coletiva dos brasileiros.

Seja pelas campanhas publicitárias, pelos comerciais de Natal ou pelo inesquecível slogan, o banco se tornou um símbolo de uma época em que as grandes instituições financeiras disputavam espaço não apenas pelo tamanho, mas também pela criatividade de suas campanhas.

Sua história também ajuda a compreender a evolução do sistema financeiro brasileiro, desde os bancos regionais ligados ao desenvolvimento econômico dos estados até a atual era dos bancos digitais.

ASSISTA AO EPISÓDIO COMPLETO: